Analisando a Programação do Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira e Outras coisas do Gênero

Parte 1: Investigando os Dados

“Eu vou! Por nós, pelas outras, por mim!” – PaguFunk

Já que a data está se aproximando, a programação do XX congresso da SAB se encontra agora disponível.

Como um detour da preparação da minha apresentação, entre várias outras tarefas 🙂 decidi que seria uma boa ideia passar algumas horas no final de semana realizando algumas análises sobre os trabalhos que irão ocorrer no congresso, e de certa forma também já ir organizando as apresentações que pretendo assistir.

No último sábado a tarde dei início a análise da programação. Abri o computador, criei uma nova planilha no Excel e comecei a analisar os dados, percebi então que havia uma assimetria de sexo e gênero nos trabalhos liderados por mulheres comparado aos trabalhos liderados por homens na programação do XX congresso da SAB.

Isso me chamou a atenção e resolvi então investigar mais afundo o que poderia estar causando esse potencial viés, e o que essa assimetria estaria nos apontando. Para isso, precisei averiguar mais detalhadamente os diferentes formatos de trabalhos liderados por homens e mulheres no congresso. Os resultados dessas analises e algumas interpretações iniciais podem ser vistas abaixo.

Vamos começar por: o que irá ser apresentado no XX congresso da SAB?

De acordo com a programação disponibilizada pela página do congresso (ver link acima) o número total de eventos que irão ocorrer durante o XX congresso da SAB é de 34 (ver gráfico 1). 

Gráfico 1: Frequência dos eventos planejadas para o XX congresso da SAB
Gráfico 1: Frequência dos eventos planejadas para o XX congresso da SAB

Dos 34 eventos, dois são referentes as conferencias de abertura e fechamento, seis a minicursos, quatro a mesas redondas, 21 simpósios temáticos (ST) e um a reunião.

Ok, agora que já temos uma ideia dos eventos programados, vamos analisar a participação e a liderança de cada homem e mulher nesses eventos.

Gráfico 2: Número total de colaboradores mulheres e homens que lideram eventos

Gráfico 2: Número total de colaboradores mulheres e homens que lideram eventos

Como podemos observar no gráfico 2 acima, 100% dos conferencistas da SAB XX são homens, 75% dos organizadores dos minicursos são mulheres, 70% dos debatedores das mesas redondas são homens, 65% dos organizadores dos simpósios são homens, e a única reunião prevista no programa até o momento é liderada por um homem.

Os dados acima apontam uma desigualdade na liderança de eventos no XX congresso, já que a maioria dos organizadores de STs, participantes de Mesa Redondas e conferencistas são homens.

Desses eventos, dois formatos: ST e minicursos são de tipo “voluntário” e revelam um contraste. Como podemos observar no gráfico 1 temos: 21 STs e seis minicursos. Ao analisarmos quantos desses 21 STs são liderados por mulheres e quantos são liderados por homens podemos notar que a disparidade entre homens e mulheres fica ainda maior (ver gráfico 3).

Gráfico 3: Número de minicursos e simpósios temáticos liderados por homens e mulheres (definido pelo primeiro organizador ou organizadora)

Gráfico 3: Número de minicursos e simpósios temáticos liderados por homens e mulheres (definido pelo primeiro organizador ou organizadora)

No gráfico 3 vemos que dos seis minicursos oferecidos cinco são liderados por mulheres e um por um homem. Já ao analisarmos os simpósios temáticos 76% destes são liderados por homens, e apenas cinco por mulheres.

Então, o que podemos notar é que não apenas 65% dos organizadores do STs são homens (ver gráfico 2), mas que 76% dos STs tem como líder um homem.

Com base nessas informações, pensei que seria interessante analisar também a composição e as diferenças entre as equipes organizadoras dos STs em que o primeiro organizador é homem e a primeira organizadora é mulher (gráfico 4).

Gráfico 4: Número total de coorganizadores divido entre eventos liderados pelo primeiro organizador homem e eventos liderados pela primeira organizadora mulher.

Gráfico 4: Número total de coorganizadores divido entre eventos liderados pelo primeiro organizador homem e eventos liderados pela primeira organizadora mulher.

Como podemos observar no gráfico 4, nos minicursos liderados por mulheres temos seis coorganizadoras e um organizador, já no minicurso liderado por um homem temos apenas um homem.

Dos cinco simpósios temáticos liderados por mulheres (ver gráfico 3) 11 coorganizadoras são mulheres e um coorganizador é homem (ver gráfico 4).

Já dos 16 simpósios temáticos liderados por homens (ver tabela 3) 25 colaboradores são homens e três são mulheres, ou seja, 89% dos colaboradores dos STs liderados por homens são homens.

A diferença apresentada aqui indica que pelo menos para o XX congresso da SAB, os organizadores homens são mais propensos a trabalhar com colegas homens e as organizadoras mulheres são mais propensas a trabalhar com colegas mulheres.

Bem, mas se essa relação de colaboração homens com homens e mulheres com mulheres existe, a minha próxima pergunta é como essa relação de organizadores afeta a escolha ou frequência do primeiro(a) autor(a) dos trabalhos (AO e Poster) nesses STs?

Para entender melhor essa questão, examinei diferentes dados sobre o primeiro(a) autor(a) iniciando pela contagem de “Apresentação Oral” e “Poster” em STs, onde o primeiro autor era Homem ou uma Mulher (ver gráfico 5).

Gráfico 5: Número total de trabalhos “Apresentação Oral” e “Poster” em STs, na SABXX, com o primeiro autor homem versus a primeira autora mulher

Gráfico 5: Número total de trabalhos “Apresentação Oral” e “Poster” em STs, no XX congresso da SAB, com o primeiro autor homem versus a primeira autora mulher

Como podemos observar no gráfico 5, aproximadamente 57% dos trabalhos tem como primeiro autor um homem e 43% dos trabalhos submetidos tem como primeira autora uma mulher.

Ok! mas, como se dá essa divisão de homens e mulheres nos STs liderados por homens e nos STs liderados por mulheres? (ver gráfico 6).

Gráfico 6 Número de primeiros autores em STs liderados por homem(s) e mulher(res) incluindo apresentações orais e pôsteres

Gráfico 6 Número de primeiros autores em STs liderados por homem(s) e mulher(res) incluindo apresentações orais e pôsteres

Como podemos ver no gráfico 6 em STs liderados por homens prevalecem os primeiros autores homens 61% versus 55% mulheres nos STs liderados por mulheres. Para compreender melhor sobre essa questão analisei também o número total de autores e co-autores nos STs.

Como você pode observar no gráfico 7, quando o ST é organizado por uma mulher 46% dos autores e coautores são homens. Já, quando o primeiro organizador do ST é um homem 41% dos autores e coautores são mulheres.

Gráfico 7: Número de autores e coautores em ST onde o primeiro organizador é homem e a primeira organizadora é mulher

Gráfico 7: Número de autores e coautores em ST onde o primeiro organizador é homem e a primeira organizadora é mulher

Muito bem, mas o que acontece quando analisamos os STs organizados exclusivamente por mulheres, os STs organizados exclusivamente por homens e os STs organizados por ambos homens e mulheres?

Gráfico 8: Número de primeiros autores em ST organizados apenas por mulher(es), ST organizados apenas por homem(s) e ST organizados por ambos mulher(es) e homem(s)

Gráfico 8: Número de primeiros autores em ST organizados apenas por mulher(es), ST organizados apenas por homem(s) e ST organizados por ambos mulher(es) e homem(s)

Como podemos observar no gráfico 8 quando o ST é organizado apenas por mulheres, 42% dos primeiros autores são homens. Quando o ST é organizado apenas por homens 39% dos primeiros autores são mulheres. Mas é interessante notar que quando o ST é organizado por ambos homens e mulheres 38% dos primeiros autores são mulheres. Esse padrão também é similar quando analisamos todos os autores e coautores em cada ST (ver gráfico 9 abaixo).

Gráfico 9: Número de primeiros autores e coautores em ST organizados apenas por mulher(es), ST organizados apenas por homem(s) e ST organizados por ambos mulher(es) e homem(s)

Gráfico 9: Número de primeiros autores e coautores em ST organizados apenas por mulher(es), ST organizados apenas por homem(s) e ST organizados por ambos mulher(es) e homem(s)

Quando o ST é organizado apenas por mulheres 43% dos primeiros autores e coautores são homens, quando o ST é organizado por homens 61% dos primeiros autores e coautores são homens. Já quando o ST é organizado por ambos 41% dos primeiros autores e coautores são mulheres.

Ao observarmos o gráfico 10, é importante ter em mente duas coisas: primeiro, o número de trabalhos de cada ST e o número total de autores.

Gráfico 10 Divisão dos artigos por primeiros autores homens e mulheres em STs e o total de autores e co-autores por STs

Gráfico 10 Divisão dos artigos por primeiros autores homens e mulheres em STs e o total de autores e co-autores por STs

Também podemos observar no gráfico acima que em alguns casos os STs são compostos por um pequeno número de trabalhos. Como os dados apontam que homens parecem estar mais propensos a colaborar com homens e mulheres com mulheres (ver o gráfico 9) em amostras pequenas isso pode levar a um número maior de STs com apenas homens.

É importante também salientar que existem trabalhos “discrepantes” que incluem mais coautoras, que neste caso são também lideradas por autoras mulheres, o que acaba afetando em parte o equilíbrio de primeiro(a) autor(a) e todos os autores (ver no gráfico 10). Por exemplo, o trabalho de Bortolotto et al. no ST22 com 4 autoras e um autor e de Gianotti et al. no ST23 com 5 autoras e um autor. Nesses dois casos o número total mulheres é de quase 50% no STs. Em grande medida isso se deve apenas a uma apresentação no ST22 e uma no ST23.

Bem e com relação aos trabalhos que irão ser apresentados, vemos alguma influência do primeiro(a) autor(a) na seleção do segundo, terceiro e outros co-autores nos trabalhos selecionados?

Dos 208 trabalhos que irão ser apresentados em STs, 48 são trabalhos com múltiplos autores, que compartilham 113 autores. 15 dos trabalhos com múltiplos autores têm uma primeira autora mulher e 33 dos trabalhos com múltiplos autores têm um primeiro autor homem.

Para investigar a preferência de co-autores, analisei então os co-autores, excluindo os primeiros autores, para cada conjunto de apresentações. Ver mais detalhes no gráfico abaixo.

Gráfico 11: Número de coautores em apresentações com mais de um autor, excluindo o primeiro autor ou a primeira autora.

Gráfico 11: Número de coautores em apresentações com mais de um autor, excluindo o primeiro autor ou a primeira autora.

Quando excluímos o primeiro autor podemos notar que onde a mulher é a primeira autora 52% dos coautores são mulheres e 48% dos coautores são homens, ou seja não parece haver aqui um viés para mulheres ou homens.

Entretanto, quando excluímos o primeiro autor homem podemos observar que 45% das coautoras são mulheres e 55% dos coautores são homens. Ou seja, quando o primeiro autor é homem parece haver uma diferença de 3 pontos percentuais a mais para coautores homens.

Parte 2: Uma perspectiva mais ampla

“Fight like a title holder, stand like a champion, live like a warrior And never let ’em break you down” – The Interrupters

Gráfico 12: Gestão da SAB2018-2019 e Gestão de liderança do XX Congresso da SAB

Gráfico 12: Gestão da SAB2018-2019 e Gestão de liderança do XX Congresso da SAB

Para verificar se o viés visto nos simpósios temáticos e trabalhos liderados por homens na programação poderia estar associada a um reflexo da estrutura de liderança da SAB e da organização do XX congresso da SAB, decidi que era importante analisar a composição de ambos. Podemos observar que no geral, as mulheres são representadas de forma mais equitativa, aproximadamente 50% na maioria dos comitês e comissões da SAB, de fato, a composição geral da Gestão da SAB 2018-19 é de 50/50 homens/mulheres.

Na organização do XX congresso da SAB notamos que 44% das comissões são mulheres e 56% homens. Já ao analisarmos a Comissão Local do XX congresso da SAB este é composto por 86% de homens.

Para compreender se haviam padrões relacionados a bolsa de estudos no Brasil que poderiam estar associados à representação feminina no congresso, procurei por um conjunto mais amplo de dados sobre a representação homens/mulheres na vida acadêmica na arqueologia e na antropologia.

A análise dos vários dados coletados das diferentes fontes sobre o acesso das mulheres a financiamento, publicação, docência e pós-graduação no Brasil indica, pelo menos nessa investigação inicial que o acesso é relativamente equitativo (gráfico 13).

Gráfico 13: Porcentagem de acadêmicos homens e mulheres em várias áreas importantes da academia incluindo: Bolsas de Produtividade CNPQ 2015, Membros da SAB em Outubro 2015, Docentes Arqueólogos 2015, Primeiros Autores em Revistas Brasileiras entre 2010 e 2015, Docentes Anth / Arq 2017, Professores em cursos de Arqueologia 2017, Professores em cursos de Antropologia 2017, Docentes PPG Antropologia e Docentes PPG de Arqueologia 2017. Fontes: depois de Ribeiro et al (2017) e CAPES (2019).

Gráfico 13: Porcentagem de acadêmicos homens e mulheres em várias áreas importantes da academia incluindo: Bolsas de Produtividade CNPQ 2015, Membros da SAB em Outubro 2015, Docentes Arqueólogos 2015, Primeiros Autores em Revistas Brasileiras entre 2010 e 2015, Docentes Anth / Arq 2017, Professores em cursos de Arqueologia 2017, Professores em cursos de Antropologia 2017, Docentes PPG Antropologia e Docentes PPG de Arqueologia 2017. Fontes: depois de Ribeiro et al (2017) e CAPES (2019).

As mulheres foram contempladas com aproximadamente metade das bolsas de produtividade pelo CNPQ em 2015 (embora seja necessário verificar ainda qual seria o nível dessas bolsas), 54% dos membros da SAB eram mulheres em 2015 e 56% das professoras de arqueologia eram mulheres em 2017 (Ribeiro et al. 2017; CAPES, 2019).

No entanto, um dado importante é que as mulheres representam menos de 50% da amostra para artigos publicados como primeira autora em importantes revistas arqueológicas brasileiras no período de cinco anos entre 2010 e 2015. Nesse caso, apenas 45% dos artigos foram publicados tendo as mulheres como autora principal.

Como mostra o conjunto de dados de Ribeiro et al. (2017) sobre publicações de periódicos, isso faz parte de uma mudança no número de artigos publicados por mulheres como autoras principais entre 1983 e 2015. A análise do conjunto de dados no gráfico 14 indica que no período de 1983 a 2015 os trabalhos publicados por primeiras autoras mulheres reduziu de 60% para 45%.

Gráfico 14: Proporção de artigos com os primeiros autores Homens e Mulheres entre 1983 e 2015 para as Revistas SAB, CLIO e (MAE 1990-2009) Fonte: Ribeiro et al 2017.

Gráfico 14: Proporção de artigos com os primeiros autores Homens e Mulheres entre 1983 e 2015 para as Revistas SAB, CLIO e (MAE 1990-2009) Fonte: Ribeiro et al 2017.

O aumento da quantidade de trabalhos com o primeiro autor homem nos últimos anos se reflete na programação do XX congresso da SAB, como mostrado nos dados acima.

No entanto, ao considerarmos a participação feminina em financiamentos, docência e nas sociedades acadêmicas, essa parece ser relativamente equitativa. Contudo, parece haver um viés contrário a liderança de mulheres na academia e comunidade arqueológica, evidente nos simpósios temáticos, apresentação oral entre outras esferas acadêmicas, bem como na publicação de primeiras autoras em artigos de revistas brasileiras (ver o gráfico 14).

Obviamente podem haver muitas razões para tais evidências, mas o fato de as evidências indicarem esse viés e essa lacuna é preocupante.

Aqui começam então alguns questionamentos. Se as mulheres estão simplesmente propondo menos trabalhos ou liderando menos equipes de pesquisa, qual seria o motivo? O que estaria causando essa lacuna?

No caso de congressos, estariam os artigos e propostas de trabalho enviadas por mulheres sendo rejeitadas? Se sim, isso ocorreria com mais frequência do que os trabalhos propostos e liderados por homens? Novamente, devemos analisar os dados e nos perguntarmos o por quê.

Embora possamos ter diferentes respostas para essas perguntas o que está claro é que existe uma lacuna relacionada a liderança das mulheres na academia que todos devemos combater para garantir a igualdade, a multivocalidade e a representação das mulheres não só na sociedade em geral, mas também na Sociedade de Arqueologia Brasileira.

Gostaria de ressaltar aqui que este post/artigo não é uma crítica pessoal destina a uma pessoa ou a um comitê ou a um ST, mas sim um alerta e principalmente um chamamento a todos nós arqueólogos e arqueólogas para exercitarmos cautela e reflexão seja nos congressos, no laboratório, no campo, e principalmente em nossas bibliografias. As quais, continuam nos cursos de arqueologia no Brasil a reproduzir listas compostas majoritariamente por homens brancos e de meia idade (ver próximos posts sobre esse tópico). Um convite a homens e mulheres da arqueologia a ficarmos atentos para não reproduzirmos comportamentos machistas e masculinistas ainda muito presentes na nossa prática arqueológica. Um convite para refletirmos sobre os motivos dessa assimetria, suas potencias causas e juntos propormos boas práticas para incentivarmos uma arqueologia mas igualitária e diversa.

Lembrando que para tal é preciso que todos saiam de suas zonas de conforto, é preciso começar a fazer perguntas importantes, perguntas difíceis, perguntas incomodas, é preciso ter dados e é preciso analisar os dados, e o mais importante é preciso refletir sobre eles e propor boas práticas. Pois como brilhantemente colocaram Ribeiro et al. (2017:1095) em seu excelente trabalho “Nunca será possível corrigir padrões de desigualdade sem antes reconhecer que eles existem” e para isso nós precisamos começar a escavar resumos, analisar programações, redesenhar bibliografias, contabilizar conferencistas e outras coisas do gênero.

Bibliográfia

CAPES. Documento de Área. Área 35: Antropologia / Arqueologia. Brasília: [s.n.], 2019.

RIBEIRO, L.; FORMADO, B. S. R. D. S.; SCHIMIDT, S.; PASSOS, L. A saia justa da Arqueologia Brasileira: mulheres e feminismos em apuro bibliográfico. Revista Estudos Feministas, v. 25, n. 3, p. 1093–1110, 2017.

SAB. Equipe Gestão SAB 2018-2019. Disponível em: <https://www.sabnet.com.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=794&gt;. Acesso em: 15 set. 2019.

XX CONGRESSO DA SAB. Comissões do evento. Disponível em: <https://www.xxcongresso.sabnet.com.br/comissao&gt;. Acesso em: 15 set. 2019.

XX CONGRESSO DA SAB. Programação do XX Congresso da SAB. Disponível em: <https://www.xxcongresso.sabnet.com.br/download/download?ID_DOWNLOAD=2&gt;. Acesso em: 14 set. 2019.

Cover Image: Archaeological excavations at a prehistoric American Indian site in north-central Oregon (USA) 1977 by John Atherton licensed under CC BY-SA 2.0

 

A Brazilian Perspective in the Wake of a Knowledge Catastrophe: Does the Museum Live?

During April I was at CAA 2019 in Kraków to present two papers and represent the Brazilian CAA chapter. One of the two papers was the result of an invitation to participate in the roundtable “Our Knowledge is All Over the Place!”, hosted by Paul Reilly, Stephen Stead and John Pouncett.

Paul asked each participant to give a five-minute overview on their idea for a knowledge map of archaeology using one slide, followed by an open discussion. He summarised the challenge in a post on his blog: “W(h)ither archaeological knowledge? Towards a (re)Map” (Reilly 2018) after the approach of Huggett et al. (2018) who posed the question:

“how do we know what we know? Or, put another way, how do we tap into disciplinary knowledge?”.

Yet, the specific scope of the discussion was open. Each participant took a different perspective and approach to the question. For my presentation, I agreed to discuss the recovery from a “knowledge disaster” facing Brazil in the wake of the fire at the Museu Nacional, Rio de Janeiro of September 2018.

My preparation took a digital archaeological slant and covered two aspects. Firstly, attempts to recover knowledge following the fire, and secondly, how to best prepare for future catastrophes. My research encompassed the reaction and recovery effort, approaches to knowledge mapping, and issues in digitisation and open data initiatives. In addition, I took the opportunity to interview two scholars involved in the area for different perspectives: Maria Cristina Bruno, a leader in research on museology and past director of MAE-USP, and Andre Strauss, a professor leading a range of palaeoanthropological and archaeological research projects, who is active in 3D and digitisation efforts.

My approach considers the actual aspects of recovery and reconstruction, but extends to ethical considerations, debates over open data and the importance of understanding perspectives from the developing world.

To frame the digital reaction I draw on Huggett et al.’s (2018) “knowledge regimes” which the authors defined as the “‘Ministry of Digital Orthodoxy’; the ‘Academy of Digital Advancement’; the ‘School of Digital Citizenship’; the ‘Commune of Digital Anarchy’” based on the openness of knowledge practices, and experimentation with digital technologies (Fig. 1).

Figure 1

Figure 1: Digital Archaeology and Knowledge Practice scenarios (Huggett et al. 2018, Figure 3).

Below is my knowledge map and a summary of my research in preparation for the discussion. I should clarify that I don’t represent the Museu Nacional: the opinions here are from my perspective as a Brazilian archaeologist (Fig.2).

Ulguim_2019_KnowledgeMap copy

Figure 2: My input for the knowledge map discussion (Ulguim 2019 https://zenodo.org/record/2677827)

Impact

On the 2nd of September as I arrived in Barcelona for EAA2018, I received news that the Museu Nacional was on fire. The blaze started around 7.30pm, likely due to an electrical problem in the renovated Maxakalisaurus room. The historic building, once home to the Portuguese Royal Family, and to approximately 20 million artefacts encompassing the breadth of Brazilian heritage, was burning.

The disaster came following years of chronic underfunding. The annual budget was already cut to the bone at 120,000 Euros, and even that had not been allocated in most years since 2014. This resulted in a catastrophe, as described by Vilaça (2018):

“Looking at the skeleton of our museum, the image came to me of an immolation, of someone setting fire to their body as a protest, as a revolt against so many mistreatments and neglect….”

The fire reflects a broader neglect of cultural heritage in Brazil: the Ipiranga Museum of São Paulo has been closed since 2013 due to risk of collapse, a 2015 fire destroyed much of the collection of the Museu da Língua Portuguesa: not yet reopened, and the Museu do Índio and its’ 18,000 items and 15,000 publications on indigenous people remain closed to the public, since July 2016.

A pattern of destruction is playing out at heritage and knowledge repositories across the world, see for example the recent events at the Notre Dame. So much so that ICOMOS (2017) recently released updated “Post Trauma Recovery” Guidelines for World Heritage properties, due to the “context of catastrophic events affecting diverse World Heritage properties”. Chip Colwell (2018) summed it up well when he stated: “lesson from Brazil: Museums are not forever”.

The destruction caused deep trauma. A vital knowledge base was gone and with it the work of many people who had contributed to the museum over 200 years as well as the work of present researchers.

Furthermore, visitors, around 46% of whom were of low income (Passarinho 2018), lost an important educational centre, and indigenous communities, who had already lost so much, now “lost many items that we never managed to identify” (Andreoni and Londoño 2018).

Faced with the destruction of one of the most important knowledge repositories in the museum and the anthropological library becoming charcoal and embers, what methods are being used to recover our heritage?

Recovery

Although BNDES, the national development bank had signed a 4.9 million Euro contract to support the renovation of the museum in June of 2018, the funds were pending release at the time of the fire. Following the event, 750,000 Euros were immediately released for emergency measures, and during 2019 the Museum is to receive at least 19.25 million Euros for reconstruction and renovation from various sources. (4 times more than the 2018 agreement). Furthermore, on 1 October the national development bank launched a public call of 5.6 million Euros for the safety of museums and public collections across Brazil (BNDES 2018).

These changes in funding were significant and may enable us to put in place the basic infrastructure to support a knowledge map, and yet, despite facing the neglect, the funds raised for reconstruction still pale in comparison to those of the Notre Dame: 1 billion-plus Euros: in just hours, the cathedral was able to raise 3875 times more than the Museu Nacional could in seven months (Oliveira 2019). There remains a ‘eurocentricity’ in our values. For example, the National Museum registered 192,000 visitors in 2017 and yet, in the same period, 289,000 Brazilians visited the Louvre, in Paris, France (Barifouse 2018).

However, as the fires were going out, recovery efforts had already begun on the ground. The museum team initiated a detailed excavation of the whole site, run by the archaeologists themselves, with 10 coordinators and 47 collaborators excavating, sieving and processing all remains from the store-rooms and display spaces. Nothing left the site without being checked (Barbon 2019).

According to the coordinator, Claudia Carvalho:

“some collections have been practically lost, such as Entomology, and others, especially resistant materials such as ceramic, metal and stone, remain”.

By February 2019 the team had collected and recorded 2,000 items and were able to exhibit 100 pieces as part of the public outreach exhibition “Museu Nacional Vive”, the National Museum Lives, in February, March and April, while also running another exhibition on Antarctica this year (Museu Nacional 2019).

Crowdsourcing: From Digital Anarchy to Digital Orthodoxy and Back

Beyond the excavation, other efforts for recovery were also underway. From 6 September, the museum, previously rather reserved on social media, began the #MuseuNacionalVive or National Museum Lives campaign online.

Those who found fragments of documents and artefacts across the neighbourhood were encouraged to bring them in, an email address was set up to receive digital copies and photos of artefacts, documents, volunteers and donations were requested. The Friends of the Museum set up a web presence for the first time on 31 October: [https://www.samn.org.br] (SAMN 2019), and the Social Anthropology library, which was completely destroyed, requested a list of more than 23 thousand books requested to rebuild the resource.

The change in approach in social media engagement provoked an impassioned response from the young people of Brazil who protested, sent letters and built replicas of the artefacts (Fig.3, 4, and 6).

Figure 3

Figure 3: Protesting the neglect of national heritage (Pilar Olivares: Reuters)

Figure 4

Figure 4: A symbolic hug for the museum (GloboNews)

Indeed, one papier-mache replica of the Throne of Adandozan, from the ancient African kingdom of Dahomey, was included in the Museu Nacional Vive exhibition, produced by a 13-year-old student from the north of Rio (Agencia Brasil 2019).

Figure 5

Figure 5: Papier-mache replica of the Throne of Adandozan, at the Museu Nacional Vive exhibition. (Fernando Frazão: Agência Brasil 2019)

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Figure 6: Letters to the Museum written by children from a public school in Rio. Now a constant reminder of our responsibilities and the social end of our research (Museu Nacional 2019).

“My dear museum … I’m sorry for what happened, I know what it’s like to go through this, I’m really sorry, with all my heart. It must be hard to lose everything you loved. I want to say that. Thanks for hear me. Signed: A B “

“Letter to the National Museum My dear museum … I could not get to know you, but everything inside you is so beautiful and wonderful. I bet that before being burned there was so much cool things and the zoo should be so cool but now it has been destroyed but I believe that everything will return to normal. Signed: T.

“My museum was a very cool place, and there was one important thing: in that museum there was a dinosaur bone and a t-rex, there was a woman who studied that thing, there were many things but everything was burned. she cried, I thank everyone who is reading Signed: A and E.

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Figure 7: Staff and supporters alike were even tattooed with the museum logo: these images were shared on social media as a form of support (Instagram 2019)

Others had reacted online themselves, before the fire was even out, beyond the official outreach of digital orthodoxy. Students of the museology course at UNIRIO began conversing on WhatsApp about collecting the photos of the museum artefacts. They had the idea to make a public call for anyone to submit photos via email, and by Monday morning, they had received more than 5,000 emails. They hope to compile a “virtual museum or a memory space” with the images (Solly 2018).

In parallel, Wikimedia called on users to upload their personal snapshots of the museum to Wikimedia Commons, an open access repository of images (Solly 2018) and others began sharing their own photos on other social platforms (Queiroga 2018). A collection of models associated with the museum was even curated on SketchFab (https://sketchfab.com/nebulousflynn/collections/museu-nacional-do-rio-de-janeiro) (2018).

The Digital Academy was also involved in some way too, as in 2016, Google Arts & Culture had begun working with the museum to bring their collection online, and they released the data that they had gathered in a virtual exhibit including photos and Street View imagery inside the museum (Coughenour 2018).

Amazing work continues in the recovery excavations and has even provided material for exhibitions already as mentioned above. But, what were the outcomes of these different approaches?

Luana Santos, one of the UNIRIO students who made the public call for photo submissions, made it clear her idea was to work with the museum, but was waiting for their response (Mori 2018).

The museum had requested on 6 September to not send documents to email addresses other than their own, the “ministry” trying to close out the “commune” (Museu Nacional Facebook Page 2019). Given that on Wikipedia Commons there are only 169 files now listed in the “Campaign: Museu Nacional” (Wikimedia Commons 2019) we can assume the UNIRIO approach obtained the greatest share of the images. What has become of the student-led research is unclear, with little news since October of 2018.

The recovery effort also revealed the lack of prioritization of digitization when it became clear that the focus of 3D scanning had been Egyptian mummies rather than other materials. By chance, Luiza had been scanned and a copy made of the facial reconstruction, which was 3D printed for a new display.

Figure 11

Figure 8: The burned remains of Luzia Recovered (Julia Barbon: Folhapress)

These efforts revealed the risk of a “new digital dark age” to quote Jeffrey (2012). Furthermore, many museums and Institutions that host culture heritage in Brazil still do not have clear mitigations for the risks posed by such disasters. We now require much more effective planning, which a knowledge map could support.

And the Knowledge Map?

When considering the fundamental question posed by Huggett et al. (2018): “How do we build resilience, flexibility and agility into our organisations, our systems, our work practices and, especially, our precious knowledge bases?”, we should first acknowledge that we have been discussing knowledge maps as a solution for some time. In 1989 Howard proposed a knowledge map as a way “to get fragmented information out of people’s heads, onto paper, and ultimately into a computer”. In fact, institutions such as NASA have built knowledge maps to support knowledge sharing (cf. NASA Knowledge Map n.d.)

In this light, responding to Paul’s challenge, of how to map our knowledge: I argue that scientific journals and publications are the original academic knowledge map, the medium through which researchers communicated progress and new questions. Only now the volumes of data and capabilities, and numbers of researchers are much greater, and we are still learning how to manage this “data deluge” which extends beyond papers into datasets and analytical applications (Bevan 2015).

Understanding that publications and datasets are the digital or physical embodiment of our knowledge map, we know that there is a huge risk to our knowledge base, given that, for example, at the Museum, thousands of documents in the anthropological library were destroyed in the fire.

The risk of destruction means that digitisation must be a priority for these knowledge bases, and to map them I propose we could start with bibliometric studies. For example, Sinclair (2016) used bibliometric research based on Persson (1994) to demonstrate the active research fronts in archaeology of researchers working on a similar problem by using bibliographic coupling (two documents share a reference to a common third document), and used co-citation to expose the documents forming a research core of ‘classic’ works developed over a long time span as defined by researchers themselves, (two documents are co-cited when they both appear in the reference list of a third document). Sinclair (2016) also mapped the vocabulary of the discipline using terms extracted from titles and abstracts. The bibliometric approach may not replace “carefully crafted intellectual histories”, but can create a “landscape survey of archaeology” (Sinclair 2016) and form the base of our knowledge map.

If we adopt the fundament that “there should be no limits on what is deemed mappable”. (Gillings et al. 2019) and the precepts of “open archaeology” (Beck and Neylon 2012) then we may extend the bibliometric approach to types of data too. Such an approach will be dependent on open “data taking on more of the “formal trappings of “publication”, rather than informal “sharing”…or…”archiving”” as proposed by Atici et al. (2012) and Kansa (2010), which will, in principle, allow a level of quality control just as other academic works are quality controlled via peer review.

We could then include an assessment of quality within these knowledge maps, which prioritizes “small, slow and sure data” (Huggett 2019), that which is “situated, reflexive and nuanced” and embraces “data-mindfulness” (Caraher 2019), considering data specificity and the moral, aesthetic and political implications of the data. Once these datasets are prioritized, they might be supported by a broader base of more unrefined data where AI/ML could help us to map information across a semantic web.

Figure 12

Figure 9: “Data-mindfulness” discussion between Bill Caraher and Eric Kansa on Twitter

Opening and exposing these data sources may have a secondary impact with unforeseen future benefits, as Beck and Neylon (2012) state: “the ability to turn these data into knowledge for a variety of different communities will be transformative and lead to greater, and sometimes unanticipated, impact.”, which supports Gillings et al. (2019) statement that: “how we map shapes what is possible to do with the maps we create”: in other words, we create our own opportunities in mapping. We need only to look to other fields, to see such opportunities, such as in criminal cases where big data approaches have provided the solutions to various cold cases such as the Golden State Killer (Zhang 2018).

But openness raises several other issues beyond questions of data quality, traceability and reusability.

Issues

We must acknowledge that all stages of archaeological practice involve theory, assumptions and biases, and that data and interpretation are entwined (Costa et al. 2013). As Reilly (2015, 232) notes, “In this multi-vocal world, some actants could be marginalised and others brought to centre stage. The testimony of artefacts, assemblages and contexts, in particular, could be either disrupted or enhanced depending on the material qualities or properties around which archaeologists, curators or conservators decide to shape their interpretations”. Indeed, we must understand that “our maps can be affective as well as effective” (Gillings et al. 2019), and will often reflect the biases, research questions or approaches of the investigators themselves.

Another key principle for this type of work will be openness, but there are other facets to the archaeological value chain which must be addressed before all researchers are ready to embrace the open movement, particularly in the developing and post-colonial world. Perry and Beale (2015, 162) summarized the issue well when they noted that:

“the social web extends far beyond a series of communicative platforms. It entangles archaeology in relations of production, consumption and world-making that have deep repercussions”.

We need to acknowledge that although we often want to believe in an open digital world of equality and access, digital technology and the web have also enabled the concentration of resources in the hands of a few powerful organisations and people.

In 2015, Bevan noted that “a more pernicious feature of…digital archaeological information is the risk that it will make us less, not more, equal as researchers”, and this plays out today in the fears of many researchers in the developing world.

The disparity is visible in other places. For example, in the preparations for CAA this year, a tweet from the organisers sparked a discussion about the lack of participation from the global south (@KrakCAA2019 Twitter 2019), as only Brazil and Australia/New Zealand represented the southern hemisphere, yet many researchers are “doing” digital archaeology in those “non-participant” countries.

Figure 13

Figure 10: CAA 2019 Krakow attendance map highlights the lack of engagement in the global south (CAA 2019 Krakow).

In reality the playing field is not level, and while we desire to be open and support free movement of data, in particular, because “public-funded initiatives should be public access” (Costa et al. 2013) a completely libertarian model, might allow unfair advantage to those with most resources to access and exploit all data inequitably. Archaeologists have proposed some types of incentive or reward for sharing to override the feeling of being scooped or data “not ready” (Beck and Neylon 2012; Atici et al. 2012).

In this light, the solution needs to address the years of investment by researchers in curating data, and ensure they are also able to publish syntheses, to realise the value of their work themselves.

Our “pyramids” of effort and value need to become squarer – placing more emphasis on the value of data collection and recognising data publication as a value-adding activity.

Until steps are taken to square the value pyramids there may be a reluctance to share and sense of digital colonialism for those providing the data.

Building the “data-mindfulness” and quality control required to incorporate datasets as publications, ensuring they are reusable, will be vital to creating a broader knowledge map. The publication of datasets may serve as a backup mechanism, which is another critical issue. In my interviews with Brazilian scholars, I certainly found that continuity plans are not in place in all institutions, and without datasets, we do not know what is already recorded or not, nor whether there is a backup of the data. Thus, “digitisation for digitisation sake is important” (Strauss, pers. comm. 2019): that is, making a complete copy of all records and artefacts in digital form, in contrast to digitisation for a specific research question.

Indeed, systematic digitisation was not completed at the Museu and left researchers at risk of losing all data on important individuals such as Luzia who was luckily at least partially scanned in 3D before the fire.

Conclusions

What is clear, is that the fire in the Museu Nacional had a disastrous impact on our knowledge and cultural heritage, particularly for Brazilian archaeology. However, the fire also exposed issues and provoked questions that require a clear response. In general terms, the fire is symptomatic of neglect, a lack of funding and support in the heritage sector which many archaeologists in Brazil are working hard to change, in spite of very harsh funding cuts this year.

Specifically, the museum provoked a strong emotional response which translated into a range of reactions which may cover some of the scenarios outlined in Huggett et al.’s (2018) scenarios.

The museum maintained a position closer to the approach of the Ministry of Digital Orthodoxy to the recovery, even requesting that photos and submissions of data only be directed to them where they would have control of the information.

Meanwhile, it is important to highlight the amazing work that is ongoing in the recovery excavations where museum specialists, along with volunteers are scrutinising every speck of dust for potential recovery, and the museum also stepped up their outreach and media campaigns to drive engagement around the Museu Nacional Vive theme.

Other institutions such as Google and Wikimedia were also involved to in supporting an approach similar to the Academy of Digital Advancement although their interventions are minor due to the fact that they didn’t hold many records of the Museum’s data prior to the incident.

The Commune of Digital Anarchism may have also played out to some extent with the different approaches to gathering data, such as the independent initiative of the students from UNIRIO. The effort was laudable, but nothing has been heard since, and it’s not clear if they have contact with the museum about the archive that was built.

A strong knowledge map of the surviving material, new materials, as well as what was lost will be required in order for Brazilian archaeology to recover from this incident. To support the work, digital techniques and open archaeology will be paramount.

Current plans for digital and open work at the museum are unclear, but what is very clear is the requirement to develop digital infrastructure and training in Brazil, both to mitigate these type of disasters, but also to enable future collaboration and research.

There are still many more challenges to overcome, not only related to funding. Specific archaeology courses hardly existed in Brazilian universities between the 1980s and 2011, and although digital disciplines exist, there are still challenges in terms of teaching, and a mystique or superficial understanding of digital work. For example, some professors would argue that blogs are not for research, only “lipstick” and models, VR experience and 3D imaging are simply visual aids. We still have some way to go towards a better understanding of digital archaeology in general, and it’s theoretical framework in particular. With an improved understanding and training we might be able to move towards a more balanced scenario enabling open crowd-sourced platforms where institutions, researchers and students can collaborate.

We will require incentives and a reformulation of the value chain, to encourage all to open their data and contribute to our future knowledge map. Last, but not least we also need to be trained to better support our immaterial relationships with the material, and the trauma caused by the loss of cultural heritage, which we all can argue should endure much longer than us.

I would like to thank Maria Cristina Bruno and Andre M. Strauss for their time and for their valuable contributions raised in our interviews, without which, this work would be much less relevant. The interview transcripts and audio will be made available here following final revision and review.

You can cite the paper as: Ulguim, P. F. 2019. A Brazilian Perspective in the Wake of a Knowledge Catastrophe: Does the Museum Live? Paper Presented at the 47th Annual Conference of Computer Applications and Quantitative Methods in Archaeology (CAA), Kraków, 23-26 April 2019. DOI: 10.5281/zenodo.2677827

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Background Image Knowledge Map after Thiago Ribeiro/AGIF

 

Mundos Sintéticos, Ciborgues, Avatares, Remanescentes Digitais e Ética na Prática Arqueológica @ EAA2018

A uma semana apresentei meu trabalho “Digital Remains Made Public: Death Online, Digital Mnemonic Landscapes and their Implications for Archaeologists” no 24° encontro anual da EAA que ocorreu durante os dias 5 e 8 de setembro na cidade de Barcelona. O tema escolhido para o encontro desse ano foi “Refletindo Futuros” que faz referência as reflexões sobre o passado arqueológico, as mudanças propostas durante o evento e o impacto que essas interpretações terão no desenvolvimento da arqueologia.

O encontro desse ano também marcou a participação da EAA no “European Year of Cultural Heritage” (EYCH) que promove uma série de iniciativas culturais, eventos artísticos e literários em toda a Europa e onde diferentes comunidades podem explorar, conhecer mais e engajar-se com o patrimônio cultural das cidades europeias #EuropeForCulture.

Quem já teve a oportunidade de participar de um encontro anual da EAA sabe que esse é um evento que envolve um grande número de palestras, simpósios e exposições, e que não se limita apenas a arqueologia europeia. Entorno de 3000 arqueólogos estirem reunidos em Barcelona esse ano. A cerimonia oficial de abertura ocorreu na quarta-feira dia 05 na basílica Santa Maria del Mar, construída ainda no século XIV e que impressiona pela beleza da sua arquitetura e história.

A parte mais desafiadora de qualquer grande conferência e também uma das tarefas mais difíceis é selecionar quais simpósios e palestras assistir. A qualidade das apresentações e discussões proporcionou reflexões importantes e marcou fortemente a presença de temáticas arqueológicas políticas e contemporâneas (como é característico da EAA), mas também de temas digitais e artísticos. Entre as top três sessões que escolhi estão a:

  • #s066 “Archaeological Investigation in Synthetic Worlds: Practical Applications of Theory and Method” coordenada por Andrew Reinhard e Lennart Linde
  • #s151 “Boundary Bodies: Critically Thinking the Body in Contemporary (Osteo)archaeology” coordenada por Alexandra Ion e Liv Nilsson Stutz
  • #s363 “Human, Posthuman, Transhuman Digital Archaeologies” coordenada por Marta Diaz-Guardamino Uribe, Colleen Morgan e Catherine Frieman

#s066 Archaeological Investigation in Synthetic Worlds

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A minha apresentação “Digital Remains Made Public: Death Online, Digital Mnemonic Landscapes and their Implications for Archaeologists” ocorreu dentro do simpósio #s066 Mundos Sintéticos: aplicações práticas, teoria e método coordenado por Andrew e Lennart que propuseram uma discussão sobre “ambientes digitais, os quais são construídos por pessoas para que outras pessoas habitem por motivos pessoais, profissionais ou comerciais”.

A sessão teve como foco abordagens práticas sobre como arqueólogos podem investigar essas paisagens, locais e artefatos “born-digital” usando e atualizando ferramentas arqueológicas, métodos e teoria, afim de criar um conjunto de práticas.

Após a introdução, abri a sessão falando sobre como o mundo digital apresenta oportunidades para investigarmos novas formas de comunidade e evidência material, sim, eu disse evidência material! À medida que continuamos a construir e usar tecnologias, arqueólogos e bioarqueólogos começarão a estudar o conteúdo “born-digital” (nascido digitalmente) dos mortos. Nossas atividades online revelam novas práticas, experiências e engajamentos com a morte e com os mortos, bem como apresentam novas incorporações da prática funerária e agência. O conteúdo nascido digitalmente dos mortos e as práticas funerárias digitais possibilitam a criação de “paisagens mnemônicas digitais”. Essas novas formas de investigarmos a morte digital e os mortos inseridos nessas paisagens possibilitam uma “arqueologia funerária do digital”. Lembrando também que em grande medida o mesmo princípio é aplicável ao morto “analógico” cujo o conteúdo pode ser digitalizado.

Esse trabalho faz parte de uma edição especial da “AP: Online Journal in Public Archaeology” coordenada por Lorna Richardson e por Howard Williams e inclui análises originais sobre a arqueologia pública da morte, incluindo avaliações de contextos de trabalho de campo, igrejas e museus. Estes trabalhos são acompanhados por reflexões sobre as dimensões do digital na arqueologia pública mortuária. Todos esses artigos refletem tanto a ética quanto a política da arqueologia mortuária ao explorar o passado, mas também sua importância na realização de reflexões contemporâneas sobre identidade e cultura popular.

Logo após, @archeo_len discutiu sobre Agent Based Models (ABM) e comportamentos emergentes em games:

@herrprofdr falou sobre o reuso de códigos em jogos Atari:

@adreinhard sobre VRchaeology e a investigação do Skyrim:

@florencesn sobre a arqueologia do jogo Nier: Automata:

Alistair Galt apresentou sobre a ontologia da Realidade Virtual em arqueologia, e a sessão foi concluída com @GingeryGamer que conduziu as discussões remotamente.

 

#s151 Boundary Bodies: Critically Thinking The Body In Contemporary (Osteo)Archaeology

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A s151 organizada por Alexandra e Liv, teve como foco aspectos teóricos com o objetivo de criar uma ponte entre discursos científicos e culturais no estudo dos remanescentes humanos, colocando o corpo humano na fronteira entre os dois discursos, as apresentações buscaram relacionar os avanços científicos e tecnológicos nos campos da osteoarqueologia e ética, direito, patrimônio e antropologia cultural.

A sessão teve início com uma excelente e provocante fala de Stutz que entre outros tópicos falou sobre a biohistória, a terceira revolução, o retorno da desumanização, empirismo e as “histórias contadas sobre o passado sem o consentimento no presente”. A sessão levantou vários questionamentos sobre ética, digital e remanescentes humanos (se você se interessa por esse tópico meu artigo “Models and Metadata” publicado recentemente pode ser de interesse).

Entre as diversas perguntas levantadas na sessão, duas particularmente provocativas foram compartilhadas:

Quando é certo perturbar os remanescentes humanos, especialmente em valas comuns?

Os mortos têm o direito de serem esquecidos, de ser transformados em terra de ter paz?

 

#s363 Human, Posthuman, Transhuman Digital Archaeologies

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“Human, Posthuman, Transhuman Digital Archaeologies” foi uma criação de Marta, Colleen e Catherine, e teve como foco a avaliação crítica de como o envolvimento humano com a tecnologia digital está mudando as maneiras pelas quais nos envolvemos e formulamos nossos mundos, pensamos a arqueologia digital, como os métodos digitais estão sendo avaliados e como esses estão mudando as relações e interações entre arqueólogos, arqueologia e os públicos.

Ruth Tringham em seu paper investigou como os caminhos digitais podem revelar as maneiras como os arqueólogos constroem o passado, ela falou também sobre o poder do storytelling na arqueologia e enfatizou que não podemos ser muito sérios enquanto posthumanos:

@BillCaraher em punk arch, slow arch e arch do cuidado:

Eva Mol falou sobre a ilusão da imaterialidade:

@KatherineRCook trouxe importantes reflexões na sua apresentação onde falou sobre como o digital pode ser “disruptive” em nome da diversidade, mas como também pode reforçar a discriminação e possibilitar abusos, chamando a atenção para uma abordagem “DIC” (faça você mesmo coletivamente) ao invés de uma “DIY” (faça você mesmo individualmente) e resumiu o evento muito bem ao compartilhar suas anotações artisticamente relevantes:

 

Reflexões

Essas sessões discutiram aspectos digitais na prática arqueológica, ética e remanescentes humanos, trazendo importantes reflexões. Entre essas estão as feitas por Colleen Morgan em sua apresentação posthuman archaeologies of avatars, monsters, cyborgs and machines, onde ela aponta, assim como Diane Gifford-Gonzalez, que podemos tecer “ficções” de interpretações arqueológicas, mas que essas ficções na realidade enriquecem nossa compreensão do passado e têm o potencial de serem fatos, e que no final de tudo, “we’re here to make trouble”!

Entre essas reflexões, comecei a pensar também sobre as discussões relacionadas a melhor integração de métodos digitais, transumanismo e “cyborg-arqueologia” levantadas durante a #s363. Mesmo que os arqueólogos não sejam substituídos por algoritmos até 2033 como apontou Yuval Noah Harari, as maneiras pelas quais trabalhamos serão diferentes e os próprios arqueólogos poderão ser considerados como “seres aumentados digitalmente”.

 

Como citar esse blog:  Ulguim, P. 2018. Mundos Sintéticos, Ciborgues, Avatares, Remanescentes Digitais e Ética na Prática Arqueológica @ EAA2018. Bones, Burials and Black Coffee. [https://bonesburialsandblackcoffee.wordpress.com/2018/09/15/mundos-sinteticos-ciborgues-avatares-remanescentes-digitais-e-etica-na-pratica-arqueologica-eaa2018]

 

Referências

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Ulguim, P. 2018. Models and Metadata: The Ethics of Sharing Bioarchaeological 3D Models Online. Archaeologies: Journal of the World Archaeological Congress. https://doi.org/10.1007/s11759-018-9346-x

Digital Archaeology Symposium at SAB XIX – Part I

Last year I hosted a symposium on Digital Archaeology with Astolfo Araújo at SAB XIX, the biennial conference of the Brazilian Archaeology Society. The symposium was titled iPads na Trincheira: Arqueologia Digital no Brasil – Onde Estamos? and included more than eleven papers on agent based modelling, data management, digital public archaeology, and 3D imaging.

As this was the first symposium in Brazil dedicated to digital archaeology I decided to kick-off with an introduction for those unfamiliar to the area. Below is a synthesis of the talk, along with slides I presented. I’ve also added some videos and imagery for the benefit of this blog.

The symposium was an important milestone for the network of researchers working with digital archaeology, as a step towards the inception of a regular series of events, and most significantly, the creation of a forum to represent Brazil in digital archaeology.

iPads na Trincheira: Arqueologia Digital no Brasil – Onde Estamos? Opening Thoughts

The earliest computing devices are archaeological artefacts themselves. We have evidence for analogue computing devices such as the abacus from thousands of years ago. An advanced example is the Antikythera Mechanism, an astronomical calendar which dates from the second century BC, recovered from a shipwreck in Greece in 1902.

However, real breakthroughs in computing have occurred over the past 80 years, commencing in the early twentieth century with the creation of electrified digital computers such as the Z3, the Colossus and the ENIAC. In the 1950s and 1960s mainframe computers were huge and limited to academic departments and government ventures such as NASA.

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Importantly, women were early pioneers in the application of these machines, but videos of the time, emphasize the man in the frame, with women cast manly as button pressers and administrators, an issue which has been highlighted in recent films such as Hidden Figures.

Developments in technology and network infrastructure were already present in the form of projects such as ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network) in the 1960s, which laid the foundation for the internet. The world was revolutionised in the 1970s, when, in 1971 a Californian company won a contract to create a pocket calculator chip. Instead of hardcoding the device they created a programmable chip. That company’s name was Intel. At the same time, companies such as Apple were devoting themselves to developing the first “personal” computing devices.

The convergence of all of these initiatives formed the basis of our digital society, which has grown exponentially with the development of the World Wide Web from 1991 with Tim Berners-Lee at CERN and the development of personal mobile computing devices such as smartphones.

In archaeology, Jim Deetz was one of the first to apply computation to analyse archaeological materials in 1959 with the help of a programme he wrote to perform stylistic analyses of Arikara ceramic fragments (see Watrall 2017). During the 1970s and 1980s, a number of computer-based tools and models were created for archaeological use, storing datasets, and creating Geographical Information Systems (GIS). In 1973, the Computer Applications and Quantitative Methods in Archaeology group (CAA) held its first meeting in Birmingham, which was organized by Susan Lafing.

Several concepts began to develop in the area of archaeology, including Virtual Archaeology, first proposed by Reilly in 1990, which sought to explore “how new digital tools could shape and enable new methodological ideas and interpretations.”, Reilly also presented now famous graphical models of archaeological stratigraphy creating using software.

“Early work using the term virtual archaeology often dealt with 3D applications, computer graphics, hypertext, and databases just made available at the time, and what they represented offered a new horizon of possibility.”

Another important contextual development took place during 2008 at the ICT in Heritage conference in Greece, where Mauricio Forte presented the concept of Cyber-archaeology to address the discussion of the feedback or interaction of multiple users in virtual environments.

Today the concept of digital archaeology is more comprehensive. The simplest definition of digital is data recorded in ones and zeroes: the digital is inherently about data. From this perspective, the field could be perceived as both technological and quantitative. But digital is more than that, it is cultural, it is a creation of different realities that we transformed into virtual, and experience and interpret in different ways, it underpins human existence in a highly public, interactive and engaging way. Reducing the size and cost of computers, switching to personal devices, and increasing the ability to capture, transform, store, and share our data in greater numbers and complexity has supported the so-called Fourth Industrial Revolution.

Digital technology has permeated our lives, has influenced culture, and culture has influenced digital technology. Digital archaeology is therefore inherently public and involves the application of technologies to create, share and store digital archaeological information and media including imaging, augmented and virtual reality, games, 3D printing, crowdsourcing, data analysis, algorithms, among others.

Eventually, all archaeology could be digital. In this light, one questions whether we should continue to discuss digital archaeology as opposed to simply discussing archaeology. In my opinion, it still makes sense because digital technology is likely to continue to disrupt and influence our society, and as researchers we need a way to describe and evaluate the approaches and methods which are developed digitally.

Furthermore, as Beale and Reilly (2017) pointed out computer applications have not yet radically changed how we conduct day-to-day archaeological practice. Thus, we must continue to assess emerging technologies and capabilities to understand how they may generate a transformation in archaeological practice:

Among the most recognised emerging technologies which have the potential to impact the field of archaeology are (modified from Beale and Reilly 2017):

  • Computer Vision: Facilitated by the ubiquity of digital cameras and software processing, it is likely that the DIY revolution in 3D data creation will continue with technologies such as image-based modelling and combinations of other methods, making it easy to create and share 2D data and 3D models
  • Augmented Reality and Virtual Reality: Archaeologists have a wide range of options for creating immersive and interactive experiences
  • Big Data (including linked and open data): There is a tremendous potential in the work in progress to map archaeological ontologies and provide data management standards to allow open data – which means that we could potentially integrate larger archaeological data sets for more appropriate meta-analyses
  • AI/ML: With these datasets, there are many other applications with AI, machine learning, and deep neural networks with a great potential for archaeology
  • Open Access: the open access movement is intrinsically linked to digital technologies: opening the information and promoting sharing is the essence of the principles of the web, for example this movement has the power to further democratize knowledge and research
  • Additive Manufacturing: popularized by the efforts of 3D printing. In archaeology, it presents the potential of “aligning the physical and virtual worlds” and enabling the physical realization of 3D data for example, human artefacts or human remains
  • Crowdsourcing and Public Archaeology: The web is vital to the greater and better involvement of audiences in archaeological projects. Successful examples include the Must Farm site in the UK, which has regularly made the news with content from its excavations effectively communicated on multiple social networks

Other important areas of development include the Internet of Things; and archaeological developments as “eTrowels”: electronic trowels that detect and record the sound and texture of excavation surfaces as well as games, robotics, automation and the Blockchain.

There is no doubt that we are moving towards a future where digital technology permeates everything, with the promise of unlimited potential. Yet, this also poses risks when it comes to issues regarding security, privacy and ethics, often highlighted in series such as Black Mirror.

To address these issues, I believe we must adopt approaches such as that proposed by Bill Caraher’s “Slow Archaeology,” which requires a critical appreciation of the accelerated pace that digital tools have brought about increasingly industrialised practices in archaeology. We also need to carefully consider ethical issues regarding data sharing as well as practical issues of long-term storage, management, and data accessibility.

Furthermore, we must consider how best to establish digital understanding and capabilities via our undergraduate courses. This requires the development and implementation of approaches which go beyond simplistic guides to how technologies work or which software to use. We must be reflexive, inclusive and consider the implications of inequalities, affordability remembering that the best devices, training and resources are concentrated in the hands of a small percentage of academic centres, often in the world’s most developed countries. Solving the problem of more democratised access to technologies and education for those without the same resources as in South America is a challenge.

Ultimately, students must be enabled to not only think with digital tools, but to innovate and disrupt existing traditional methods and hegemonies, whilst maintaining ethical integrity and consideration.

Originally presented as Ulguim, P. F. 2017. Introduction. Simpósio Temático: iPads na Trincheira: Arqueologia Digital no Brasil – Onde Estamos? XIX Congresso Sociedade de Arqueologia Brasileira. 10 – 15 September 2017. Teresina, Brazil. Teresina, 2017.

References

Beale, G. and Reilly, P. 2017. Digital Practice as Meaning Making in Archaeology. Internet Archaeology 44. https://doi.org/10.11141/ia.44.13

Forte, M. 2008. Cyber-archaeology: an eco-approach to the virtual reconstruction of the past. In: Proceedings of International Symposium on Information and Communication Technologies in Cultural Heritage, Ioannina, Greece, pp. 91-106.

Reilly, P. 1991. Towards a Virtual Archaeology. In: Rahtz, S. and K. Lockyear (eds.), CAA90. Computer Applications and Quantitative Methods in Archaeology 1990.

Watrall, E. 2017. Archaeology, the Digital Humanities, and the ‘Big Tent’. In: Debates in the Digital Humanities. http://dhdebates.gc.cuny.edu/debates/text/79 [Accessed 11 May 2018]

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Alimento, Ferramentas ou Amigos? XIX Congresso da SAB: Zooarq

O Congresso da SAB – Sociedade Brasileira de Arqueologia, é um evento que ocorre a cada dois anos e reúne diversos arqueólogos brasileiros e estrangeiros. O objetivo do congresso é apresentar resultados e projetos de pesquisas e promover debates sobre questões relevantes para as diversas audiências. A cada congresso um tema diferente é proposto para que a comunidade de arqueólogos reflita sobre. Este ano o congresso aconteceu em Teresina no Piauí e o tema foi “Arqueologia na Trincheira”.

A conferência teve início no domingo com a palestra de abertura da arqueóloga Loredana Ribeiro que falou sobre o tema Enfrentando o Sexismo-Racismo Epistêmico na Arqueologia Brasileira e abordou questões muito pertinentes sobre gênero e crítica feminista. Embora eu tenha chegado em Teresina no final da tarde, surpreendente consegui acompanhar a fala de abertura do hotel via transmissão ao vivo no Facebook – muito útil para quem não pode estar fisicamente presente.

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Fig 1. Palestra de abertura da arqueóloga Loredana Ribeiro via LiveStream no Facebook

Minha primeira apresentação foi na segunda-feira onde coordenei o simpósio iPads na Trincheira Arqueologia digital no Brasil, onde estamos? e apresentei sobre as potencialidades, desafios e boas práticas de compartilhamento de modelos 3D e dados bioarqueológicos, e em particular sobre modelos de remanescentes humanos, mas esse é um tópico para um outro blog.

Neste post eu gostaria de falar sobre a sessão que ocorreu na sexta-feira dia 15 de setembro onde apresentei meu segundo trabalho neste congresso. Fui a primeira a apresentar, o que sinceramente prefiro, pois assim posso me dedicar a ouvir as outras comunicações com total atenção.

A minha apresentação foi sobre as pesquisas zooarqueológicas que venho realizando. E com o congresso tive a oportunidade de apresentar os resultados iniciais para os pares  da comunidade de arqueólogos. O trabalho falou sobre a arqueoictiofauna presente em sítios arqueológicos conhecidos como cerritos na região da Lagoa dos Patos, a importância do papel da pesca para essas sociedades e sobre como novos métodos analíticos avançados aliados a dados arqueológicos, etnográficos e etnohistóricos podem auxiliar na elaboração de hipóteses sobre as diversas relações e interações entre essas sociedades, os animais e o ambiente no passado.

Mas antes de continuar é importante explicar o que é arqueoictiofauna? Bem, arqueoictiofauna é um termo que muitos pesquisadores utilizam em seus trabalhos e que de forma breve faz referência aos vestígios de peixe (na maioria fragmentos ósseos), encontrados em sítios arqueológicos. Embora, parte dos resultados tenha sido apresentada pela primeira vez, essa pesquisa teve início há mais ou menos 10 anos quando eu era ainda uma graduanda e estava escrevendo o trabalho de monografia.

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Fig 2. Equipe de arqueólogos no sítio PT-02 em 2006. Fonte: Acervo do LEPAARQ

Mas o que há de novo na pesquisa? Bem, nos últimos três anos venho realizando o doutorado que tem como foco o emprego de métodos analíticos avançados e de imagem 3D no estudo dos ossos queimados. Durante o doutorado eu venho empregando diferentes procedimentos analíticos entre eles: a espectrometria por fluorescência de Raios-X XRF, métodos 3D que incluem scanners de luz estruturada e também o espectrofotômetro, que de forma sucinta é utilizado para medir o comprimento de onda de luz refletida da superfície de uma amostra.

No trabalho Alimento, Ferramentas ou Amigos? Zooarqueologia no Cerrito da Sotéia, Lagoa dos Patos, Brasil tive a oportunidade de testar algumas hipóteses desenvolvidas no início desta pesquisa e outras que venho elaborando mais recentemente. Além é claro da aplicação desses métodos avançados mencionados acima em uma amostra de arqueoictiofauna do sítio.

Os dados coletados foram correlacionados com outros dados já disponíveis (ver ULGUIM, 2010) como identificação e comportamento das espécies, contexto arqueológico e tamanho dos peixes, o qual foi calculado com base em modelos de regressão e em tamanhos e espécies modernas. Esses dados foram analisados no Rlogo e usados para testar as hipóteses relativas aos possíveis métodos empregados na captura e no processamento dos peixes. E na elaboração de hipóteses sobre a importância da pesca e das relações homem-animais-ambiente para essas sociedades no passado.

Para auxiliar com esse processo eu compilei dados de diversos sítios arqueológicos cerritos com presença de artefatos, adornos e ferramentas associadas a pesca (ver ULGUIM, 2010 Anexos 6 e 7) com fontes etnográficas e etnohistóricas de diferentes períodos que falam sobre métodos de pesca e processamento de peixes. Por fim, fiz uso da analogia com base em um exemplo moderno com o objetivo de abordar aspectos ritualísticos e de identidade com a pesca e o mar, e o consumo dos peixes. O exemplo atual foi a Festa do Mar. Durante vários anos morei na cidade de Rio Grande, e em diferentes ocasiões, quando ainda estudava no colégio Joana D’Arc participei das edições da Festa do Mar.  Foi nesse período, ainda que de forma inicial, que comecei a compreender a importância da pesca e do mar para a comunidade de Rio Grande e da forte identidade com o porto. Além é claro, onde inicialmente testei minhas habilidades de confecção de coleção de referência através das inúmeras tainhas consumidas.

Um dos aspectos mais importantes do trabalho apresentado foi a proposição de um novo método que venho trabalhando. A hipótese: É que seria possível identificar espécies de peixe por meio da aplicação e combinação de XRF com outro método. Essa é uma hipótese inicial! que venho elaborando ao lado do meu super-orientador Prof. Tim Thompson. A motivação foi a carência de métodos que se dediquem a fragmentação e fragmentos alterados e que possibilitem análises mais qualitativas. De fato, nem sempre temos a sorte de lidar com elementos e otólitos inteiros. Gostaria que fosse assim, mas a realidade é que estatisticamente grande parte do que escavamos e amostramos é composta de fragmentos que em muitos casos não são identificáveis pelos métodos tradicionais devido ao tamanho, a fragmentação e ao estado de preservação. Venho me dedicando então a desenvolver métodos para os fragmentos que muitas vezes são deixados de lado (ver mais sobre em ULGUIM e ULGUIM, 2017). Não é segredo que minha carreira tem sido em grande parte dedicada a pequenos fragmentos alterados que a maior parte dos pesquisadores não quer trabalhar com ou que acredita apresentar um potencial limitado.

Depois de apresentar assisti as outras comunicações da sessão que foram bastante interessantes. O trabalho de Milheira et al. (2017), apresentado por Caroline abordou temas relevantes sobre as pesquisas que vem sendo desenvolvidas pelo LEPAARQ como as análises isotópicas de C13 e N15 realizadas na arqueofauna e nos remanescentes humanos (para mais informações sobre as análises bioarqueológicas dos remanescentes humanos ver ULGUIM e MILHEIRA, 2017). Foi ótimo ver a continuidade dos trabalhos na região e que o time continua a encontrar novos sítios.

A apresentação Qual a antiguidade dos esqueletos humanos de Lagoa Santa, Minas Gerais? Implicações para o entendimento da ocupação dos caçadores-coletores na região de Pedro da Glória, Danilo Bernado e Walter Neves esta entre as favoritas dessa seção, pois tocou em questões muito importantes como: a relevância das coleções que não apresentam um registro detalhado de proveniência, em muitos casos devido a historicidade dos métodos usados, e que por vezes são desconsideradas ou não pesquisadas. Pedro explicou de forma didática a importância que a datação de grande parte da coleção composta por remanescentes humanos teve no refinamento e na melhor compreensão dos períodos de ocupação na região de Lagoa Santa e como esses dados implicam no entendimento das sociedades caçadoras-coletoras que viveram na região e também nas práticas funerárias. Esse foi o último trabalho que consegui assistir nessa seção antes de sair as pressas para o aeroporto para pegar o voo para São Paulo. No final a semana foi muito produtiva para compartilhar a pesquisa com outros pesquisadores no Brasil, trocar ideias e conhecer novos pesquisadores.

Estou compartilhando também o pdf que fiz da apresentação para vocês verem um pouco mais sobre o trabalho e os dados apresentados aos pares durante o congresso e sobre o novo método que vem sendo desenvolvido na tentativa de demonstrar a importância dos fragmentos e de seus dados na intepretação de atividades passadas relacionadas a pesca e ao processamento dos peixes.

Alimento, Ferramentas ou Amigos?

PDF: ULGUIM, P. F. Alimento, Ferramentas ou Amigos?

Mas se você esta aqui apenas pelo modelo 3D, aqui vai um gif feito especialmente para os leitores determinados que chegaram até o final deste post.

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Fig 3. Otólito de Pogonias cromis (miraguaia) em 3D

E como um bônus adicional, caso você seja um bioarch lover e esteja sentindo falta de ler sobre remanescentes humanos neste post, aqui esta um artigo publicado esse ano sobre remanescentes humanos em sítios cerritos próximos a Lagoa dos Patos.

Como citar a apresentação: ULGUIM, P. F. Alimento, Ferramentas ou Amigos? Compreendendo as interações entre homens, animais e ambientes através da Zooarqueologia no Cerrito da Sotéia, Lagoa dos Patos, Brasil. Comunicação apresentada no XIX Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira. 10 – 15 Setembro 2017. Teresina, Brasil. Teresina. 2017.

Referências

DA GLÓRIA, P.; BERNADO, D.; NEVES, W. Qual a antiguidade dos esqueletos humanos de Lagoa Santa, Minas Gerais? Implicações para o entendimento da ocupação dos caçadores-coletores na região. Comunicação apresentada no XIX Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira. 10 – 15 Setembro 2017. Teresina, Brasil. Teresina. 2017.

MILHEIRA, R. G. et al. Reconstruindo a dieta dos grupos construtores de cerritos do sul da Laguna dos Patos a partir de análises zooarqueológicas, arqueobotânicas e de isótopos estáveis. Comunicação apresentada no XIX Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira. 10 – 15 Setembro 2017. Teresina, Brasil. Teresina. 2017.

RIBEIRO, L. Enfrentando o Sexismo-Racismo Epistêmico na Arqueologia Brasileira. Palestra de Abertura do XIX Congresso da SAB. Palestra apresentada no XIX Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira. 10 – 15 Setembro 2017. Teresina, Brasil. Teresina. 2017.

ULGUIM, P. F. Modelos 3D e Arqueologia: Potencialidades, Desafios e Boas Práticas de Compartilhamento de Dados Digitais. Comunicação apresentada no XIX Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira. 10 – 15 Setembro 2017. Teresina, Brasil. Teresina. 2017.

ULGUIM, P. F.; ARAÚJO, A. G. M. Simpósio Temático: iPads na Trincheira: Arqueologia Digital no Brasil – Onde Estamos? Simpósio Temático do XIX Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira. 10 – 15 Setembro 2017. Teresina, Brasil. Teresina, 2017.

ULGUIM, V. F.; ULGUIM, P. F. Análise dos Padrões de Quebra em Espinhos de Peixes: Cerrito PSG02-Valverde Pelotas/RS. Poster apresentado na V Semana Internacional de Arqueologia Discentes, MAE-USP, 8-12 Maio 2017, São Paulo. São Paulo. 2017. doi:10.5281/zenodo.572327